quinta-feira, 12 de março de 2026

Batalha do Mbororé x Rio Comandai antigo Tobaty ou Tabaty

 Texto extraído do Livro de Aurélio Porto Jesuítas do Sul do Brasil "História das Missões Orientais do Uruguai"

Vilmar Person, membro da  Academia de Letras dos Municipios do Rio Grande do Sul -ALMURS, cadeira 293

6- O desbarato de Mbororé.

No interregno que vai da ação de Caaçapá-guaçu ao trágico desbarato de Mbororé,[1] isto é, de princípios de 1639 a 1641, não consta da documentação jesuítico—espanhola a entrada de qualquer bandeira regular em território rio-grandense.

Outros acontecimentos de vulto, ao Norte, desviavam, por de terminações de alto patriotismo, a belicosidade piratiningana. António Raposo Tavares, à frente de algumas centenas de paulistas, como anteriormente D. Francisco de Rendon, saía de São Paulo com fortes contingentes e, em janeiro de 1640, tomava parte destacada nos combates contra o batavo que dominava o Nordeste.

No mesmo ano aportava ao Rio de Janeiro, procedente de Roma, o Padre Procurador Diaz Tano que ali fazia promulgar o breve do Papa, excomungando os predadores de índios. Determinou isto uma série de distúrbios que teria tido consequências gravíssimas, pondo em perigo a vida dos religiosos, se o governador e autoridades não acudissem com força armada, dissolvendo a multidão, em socorro aos mesmos. Em São Paulo, onde se soube dos acontecimentos do Rio, a Câmara, confraternizando com o povo, assumiu a direção da revolta e, indo ao Colégio dos Jesuítas, aí os intimou «despejassem a vila e capitania», sob pena de apelarem para a violência. Isto ocorria no mês (de julho de, 1640.[2])

Logo após tão graves distúrbios que afetavam a vida da Companhia naquelas Capitanias, soube o P. Tano, no Rio, onde ficou até novembro, que os paulistas novamente se aprestavam para dar sobre as reduções, motivo por que apressou o regresso a Buenos Aires a fim de providenciar com tempo quanto à resistência que era mister lhes opor.[3]

Chegando ainda a tempo à Capital do Prata, fez remeter com urgência ao exército que se organizava nas reduções, sob o comando de D. Inácio Abiaru, capitão-general dos índios, e assistência técnico-militar do Irmão Domingos de Torres, grande quantidade de mosquetes e arcabuzes, e larga cópia de munições de guerra. Constituía-se assim formidável exército forte de 4.000 índios, dos quais mais de 300 estavam armados de arcabuzes, contando até com peças de artilharia feitas de bambu recoberto de couro.

Dizem os documentos jesuíticos que a bandeira se compunha de “400 portugueses com armas de fogo e muitos mestiços, mulatos e negros, além de 2.500 tupis flecheiros”[4], convindo, porém, ressaltar que Teschauer, citando outras fontes, diz que “os mamalucos (eram) em número de 500 a 600 com mais de 4.000 índios tupis em 700 canoas que tinham preparado nas margens dos rios com as quais ocuparam o rio Acarágua, afluente do Uruguai, enquanto suas tropas entravam no povo ermo[5]

Confrontando os vários relatos de origem jesuítica, referentes a essa página do bandeirismo paulista e os documentos do acervo arquival que nos fornecem Inventários e Testamentos, não se torna difícil determinar o trajeto da bandeira de Mbororé até atingir o rio em que teve lugar o choque sangrento. Já de volta do rio Uruguai, em setembro de 1641, procede-se ao inventário de Sebastião Gonçalves num “sertão do Rio Grande, dos Ganaiás”. Eram os guaranás ou guaianás[6] mais conhecidos pela designação de ibirajaras, segundo nossa classificação. [7] Diz o Padre Tano, na carta citada, ”que com os paulistas vinham também muitos guananazes, que haviam vencido pelo caminho”, e que, de volta, o “inimigo retirou-se para as aldeias dos infiéis que havia cativado.[8] Ranchearam-se “nas cabeceiras do Apiterebi”, “depois de passar pelo Tebiquari”, diz na Ânua de 1641 o Padre Lupércio.[9]

A determinação do rio Apiterebi dos Jesuítas suscitou larga controvérsia entre os demarcadores de 1750, chegando-se finalmente, à conclusão, por todas aceita, de que se tratava do antigo Peperi-guaçu, dos Jesuítas, designação que foi mais tarde deslocada para um afluente mais oriental da margem direita do Uruguai.

Refere a Ânua do P. Ruyer que um tupi preso pelos índios informara, depois da derrota dos paulistas, em Acarágua, que o chefe da bandeira determinara, «logo após a Páscoa, partir do rio Acarágua, tomando seu curso pelas matas para sair num arroio que está Uruguai acima chamado Guarumbaca[10] e aí dividirem-se, indo uns até o Iguaçu, enquanto outros passariam pelo salto do rio Uruguai, indo até Santa Teresa para explorar as taperas de Jesus-Maria, e dali ao Caamo e Caágua e, finalmente, os outros, pelo Uruguai acima iriam assolar as aldeias dos in fiéis.[11]Depreende-se dessas informações que a bandeira havia tomado o caminho do Iguaçu (sertão do Rio Grande) e daí reflexionado para a margem direita do Uruguai, passando pelas pontas do Apiterebi, até o Mbororé, o que confirma o trajeto apontado pelo Dr. Alfredo Ellis. Na volta, porém, alguns elementos se teriam internado pelo Alto-Uruguai, no sertão rio-grandense.

Integravam a bandeira elementos de escol da gente piratiningana. O inventário de Sebastião Gonçalves e as referências jesuíticas dão-lhe para cabo principal o capitão Jeronimo Pedroso de Barros, ocupando também posto de destaque o capitão Manuel Peres, que assina a carta referida na Ânua do P. Ruyer. Conhecem-se mais: capitão António Pedroso de Barros, irmão do cabo, capitão António da Cunha Gago (o gambeta), Baltasar Gonçalves, Bartolomeu Álvares, Sebastião Gonçalves (o falecido), Antônio Rodrigues, Clemente Álvares, Simão Borges, João Leite, Matias Cardoso, Pero Nunes Dias, Domingos Furtado, Miguel Lopes, Mateus Álvares, Pero Lourenço, Amador Lourenço, João Pires Monteiro, Pedro Cabral, Domingos Pires Valadares, Sebastião Pedroso Baião, António de Aguiar, António Fernandes Sarzedas, António Carvalhais e João de Pina.[12]  A estes nomes se podem acrescentar os constantes do inventário de Luís Dias, feito no sertão a 28 de Dezembro de 1641, e que, além do morto, são os seguintes: Vicente Bicudo, Francisco Correia, António Gil, Se bastião Gil, Pedro Furtado, Baptista, António Lopes Perestrelo, Francisco Barreto e Antonio Agostim[13]

A bandeira deveria ter saído do povoado em fins do segundo quartel do ano de 1640, dela tendo notícia o P. Diaz Taño que, em novembro, apressou sua partida do Rio para Buenos Aires, temendo não chegar a tempo de dar junto aos Padres as providências que o acontecimento requeria.

Três a quatro meses deveria a força de Jerónimo Pedroso ter gasto até chegar à margem direita do Uruguai, onde acampou um pouco acima da foz do rio Acarágua. Além da preia de índios, que era seu principal escopo, dois outros motivos determinavam sua ida às doutrinas jesuíticas: saber de Pascoal Leite Pais e mais companheiros presos em Caaçapá-guaçu, de que não se tinha notícia, “nem por mar nem por terra se são vivos ou mortos”, os quais “em sua mor parte são casados e estão carregados de filhos e filhas, hoje em grande desamparo, clamando e pedindo justiça a Deus contra vossas paternidades, pelo desamparo e miséria em que se vêem; e assim como da parte do P. Vicente Rodrigues, da Companhia de Jesus, me pediram os interessados chegasse aqui para saber deles.”[14] Outro motivo, o natural revide contra os promotores das penalidades cominadas no breve papal que o P. Diaz Tano fizera conhecer e que motivara sérios distúrbios contra os Jesuítas no Rio e São Paulo.

Farta foi a presa que os sertões percorridos, principalmente em índios infiéis, ofereceram à leva paulista. Manuel Peres a acusa em sua carta: “Não imaginem vossas paternidades que viemos aqui com o engodo de vossos índios, que muito bem sabem vossas paternidades; o muito gentio que havia por este rio já o enviei para diante” ... E além da grande chusma de cativos que estariam contidos nas paliçadas, ou a caminho de São Paulo, um número considerável de ibirajaras íguaianás acompanhavam livremente os vencedores de suas aldeias localizadas nas pontas do Apiterebi engrossando a coluna bandeirante.

Em dezembro de 1640 haviam já erguido seu real à margem direita do Uruguai. Uma grande cheia que, neste mês, engrossou consideravelmente o rio, fez baixar algumas balsas acabadas de construir, grande quantidade de flecharia e outros petrechos “pelo que viram os Padres que não era obra somente de infiéis, mas sim de gente mais ladina e perita do que estes.” [15] Era chegado o momento de agir, pois isto confirmava a notícia que o Padre Procurador trouxera do Rio de Janeiro e levava os Jesuítas à convicção de que o inimigo estava próximo e não tardaria a acometer as reduções. Em 8 de Janeiro, o Provincial Padre Ruyer convocou 2.000 índios das reduções, dando ordem a todos os Povos do Uruguai fizessem descer os seus contingentes com brevidade. Assumiu o comando geral dos índios o capitão-general D. Inácio Abiaru, e o velho D. Nicolau Nenguiru, antigo cabo de guerra cristão, serviu com seu conselho e experiência.

À frente dessa força o P. Ruyer subiu até o rio Acarágua, enquanto o P. Cristóvão Altamirano, em companhia de outros Jesuítas e índios, reconhecia a terra, indagando notícias da bandeira. Em caminho os exploradores foram encontrando corpos de selvagens recentemente mortos, muita flecharia, canoas e 10 ou 12 balsas, muito bem acabadas, feitas de cana da terra que os naturais chamam taquara. Uma escolta, que foi ao salto do Uruguai, às três horas da manhã, encontrou 16 índios fugitivos, já acossados pelos bandeirantes, que desciam o rio.

A fim de concentrar as suas forças, resolveram os Padres aguardar no rio Acarágua a vinda dos inimigos que se aproximavam. Organizaram-se patrulhas e sentinelas, ergueram-se paliçadas e despacharam-se espias em todas as direções. Finalmente, a 25 de fevereiro houve exata notícia dos paulistas. Canoas de índios que foram rio acima, em reconhecimento, encontraram outras que desciam tripuladas por inimigos. Fugiram, céleres, dando aviso aos Jesuítas do encontro que tiveram.

Certos da investida, os Padres levantaram seu exército baixando a Mbororé, ponto estratégico adredemente preparado para a resistência que se deveria fazer. E quando a bandeira chegou à aldeia do Acarágua, cercando-a por três flancos e enchendo o rio de canoas de guerra, não encontrou ali mais ninguém. Somente, no rio, em 15 canoas, D. Inácio Abiaru procurou fazer uma diversão que durou duas horas, inutilizando duas embarcações dos bandeirantes. Neste entreato apareceram mais três companhias de mamalucos que se apresentaram para entrar em combate, e o P. Altamirano, que dirigia a ação, resolveu retirar para Mbororé, evitando perda inútil de combatentes.

Sábado, 7 de março, violenta tempestade caiu sobre o arraial dos paulistas, obstando descessem estes a enfrentar o exército missioneiro, em Mbororé. o que foi providencial, pois só no domingo chegaram ali, vindos de todas as reduções do Uruguai, mais 2.000 soldados, com o que se duplicou a força das reduções.

Assumira a direção dos assuntos da guerra o P. Pedro Mola, que substituíra o P. Ruyer, enfermo em São Nicolau, até que chegasse o P. Pedro Romero, designado para essa direção. Entrementes, o general Abiaru havia tripulado 70 canoas de guerra em que se contavam, além de inúmeros flecheiros, 57 soldados armados de arcabuzes.

Quarta-feira, 11 de março, o inimigo apareceu, às duas horas da tarde e, descobrindo o casario de Mbororé, arribou à margem e se entrincheirou fortemente em uma chácara que havia nas imediações. Resolveu o comandante do exército missioneiro não dar trégua nem alce ao inimigo e assentou oferecer-lhe batalha incontinenti. Em uma balsa, blindada por fortes paus, colocou uma peça de artilharia, que deu certeiro disparo contra as canoas inimigas, enquanto os índios impacientes para combater disparavam seus arcabuzes, prostrando logo dois “portugueses” que estavam em uma balsa. Assim se “travou a batalha com brava coragem de uma e outra parte”.

Neste momento saltou em terra o capitão Jerónimo Pedroso, com 30 homens e, passando por um arroio grande, começou a arcabuzar os índios que estavam em terra, matando três e pondo uns 30 em fuga. Outros, porém, revidando o golpe, acometeram os paulistas, matando um deles e quatro tupis e ferindo a muitos, com o que os inimigos voltaram à sua paliçada. Continuava, entretanto, o choque entre as canoas, de que os bandeirantes contavam 130, tripuladas por mais de três centenas de homens.

Neste primeiro dia de combate, que terminou ao cair da noite, tiveram os paulistas perda de nove homens brancos e alguns tupis, mortos e muitos feridos.

No dia seguinte, 12 de março, o inimigo empregou a manhã em construir uma forte paliçada e nela se entrincheirou. Ã tarde, três mil índios missioneiros, dirigidos pelos seus comandantes, sob a vigilância dos Padres, em silêncio, procuraram fazer um movimento envolvente com que contavam exterminar de vez os bandeirantes. E, quando estes se aperceberam da manobra, já sobre as suas defesas caía uma chuva incessante de balas e flechas. Vendo-se quase cercado, procurou o chefe da bandeira abrir uma brecha entre os atacantes e, à frente de um forte destacamento de soldados, saiu da trincheira, empenhando-se com os índios num combate, corpo a corpo. Mas tal era o ímpeto destes e a superioridade numérica que, por três vezes, teve o paulista de se cobrir, retornando à sua paliçada, de que voltava a sair para novos recontros. Três horas durou a refrega desse dia, que terminou à noite, pela retirada do exército catecúmeno. Na ação o capitão Jerônimo Pedroso perdera mais quatro homens brancos, além de maiores números de tupis.

Com data de 13, remetida por um parlamentário que arvorava bandeira branca, receberam os Padres uma carta de um dos cabos da bandeira, o capitão Manuel Peres, constante, em tradução da Ânua do P. Ruyer e por nós retraduzida do espanhol: “Meus Revos. P.es — Chegámos aqui onde viemos falar a V. P.es para saber dos homens que V. P.es prenderam há anos passados, isto é, Pascoal Leite Pais e os demais dos quais nunca tivemos notícias nem por mar nem por terra, se são vivos ou mortos; pelo que vi anteontem vejo que V. P.es estão em pé de guerra e antes que tivéssemos chegado já este rio estava coalhado de canoas de guerra por ordem de V. P.es, às quais quatro moços mal intencionados, sem ordem minha, procuraram sair de encontro, pelo que V. P.es sem nenhuma razão nem cristandade o fizeram, que se eu viesse a fazer mal abalroara com todo o meu exército, mas antes mandei recolher a gente toda e assim o fizeram como V. P.es bem viram por compreender que eram religiosos e servos de Deus e nos cristãos: e, logo, rio acima, querendo falar às canoas de V. P.es levantámos uma bandeira branca, ao que nos responderam muitas arcabuzadas, coisa que cada vez foi de mal a pior. E assim requeiro a V. P.es da parte de Deus e de S. M. uma e muitas vezes descarregando minha consciência, e a de todo este real sobre V. P.es do que possa suceder de hoje em diante, de parte a parte, pois o tem causado V. P.es, sendo claro que não tive tal intenção e por isto deixo traslado desta mesma carta para que em todo o tempo conste a verdade, pois não temos intenção de fazer mal aos cristãos, pois ao que viemos não é mais do que saber de nossos irmãos e parentes que, em sua mor parte, são ca

sados e estão carregados de filhos e filhas, hoje em grande desamparo, clamando e pedindo justiça a Deus contra V. P.es pelo desamparo e miséria em que se veem; e assim como da parte do P.e Vicente Rodrigues, da Companhia de Jesus, me pediram os interessados chegasse aqui para saber deles. E estimarei que V. P.es me façam a caridade e mercê de nos vermos, e, principalmente, que nos digam missa, e ouçam algumas confissões, pois estamos na santa Quaresma. Não imaginem V. P.es que viemos aqui com o engodo de seus índios, que muito bem sabem V. P.es; o muito gentio que havia por este rio já o enviei para diante e com que V. P.es venham cá falar comigo verão e acharão ser tudo isto certo e verdadeiro. Eu fico esperando a V. P.es, ou resposta, e não seja a que deu a António Raposo Tavares, em Jesus-Maria, e V. P.es muito bem sabem o que disso resultou, o que entendo não farão V. P.es e assim querendo V. P.es vir aqui o podem fazer confiadamente, sem receio nenhum; eu fico esperando a V. P.es a quem Deus guarde etc. — 13 de março de 1641 — De V. P.es servidor que suas mãos beija — O cap. Manuel Peres.[16]

Por outras ocasiões ainda procuraram os bandeirantes comunicar com os Padres, mas, absolutamente, não conseguiram que suas cartas fossem respondidas. Só, mais tarde, animoso, o P. José Doménech aproxima-se da paliçada inimiga, exprobrando o procedimento dos paulistas e oferecendo os serviços espirituais dos Padres se houvesse ali feridos em perigo de morte, aos quais estariam prontos a confessar. Respondeu-lhes o comandante que havia 11 brancos gravemente feridos, como também alguns índios.

Até 16 de março, entre refregas contínuas e assaltos dos índios, estiveram os mamalucos na paliçada, de que saíam para investir contra os inimigos. Retiraram daí, sempre acossados pelos catecúmenos, construindo, mais adiante, novas fortificações para a sua defesa. Mas os soldados de D. Inácio Abriaru não lhes davam tréguas para cuidar de seus feridos, que eram muitos e, assim, ainda por dois dias, mantiveram contacto com os inimigos vermelhos. Nesses recontros os próprios chefes Nenguiru e Abiaru foram tomados pelos bandeirantes e libertados pelos índios. No último dia, oitavo de combates contínuos, 18 de março, os missioneiros os perseguiram das seis da manhã às três horas da tarde. Haviam perdido mais de 60 mortos, sendo poucos os que não estivessem feridos.

A fim de melhor se refazerem, os paulistas embrenharam-se nas matas entre o Mbororé e o Acarágua, sem que seus perseguidores pudessem encontrá-los, nem saber o rumo que haviam tomado. E assim passaram-se seis dias, conseguindo os fugitivos atingir novamente as aldeias do Acarágua, onde se situaram, erguendo o seu real.

Não esmoreceram, porém, os Padres no intuito de se verem livres de tão terrível inimigo. Convicto estava este de gozar alguns dias de tranquilidade, entregue a seus deveres devocionais, pois corria a semana santificada pela morte do Redentor. E, no Acarágua, onde os restos da bandeira destroçada se acolhera, na quinta-feira santa, que deve ter passado a 25 de março, os paulistas estavam ocupados “em levantar cruzes, erguer calvários, enramar arcos e preparar estações para as solenidades da Paixão”. Jamais supuseram que em “tais dias santos”, consagrados às cerimonias religiosas, ao culto do Senhor, pudessem cristãos empunhar armas para verter sangue humano, principalmente religiosos de tão austeras virtudes.

E foi exatamente nesse dia que, tendo localizado os fugitivos, sobre eles caiu o forte exército dos catecúmenos, sob o comando de D. Inácio Abiaru e imediata direção dos Padres da Companhia de Jesus. Após refregas incessantes e desesperada defesa aos mamalucos, em que perderam muitos homens, conseguiram estes pôr-se a salvo, fugindo novamente para os matos. Domingo da páscoa, não obstante incessantes buscas, perderam os índios o contacto com os restos da bandeira destroçada, que já havia tomado grande distância, por ásperas serranias e matos fechados que marginam o Uruguai. E o exército cristão voltou às suas reduções para celebrar com Te Deum festivo e largas manifestações de alegria a auspiciosa vitória. Isto foi a 28 de março em que deve ter caído a páscoa de 1641.

Trágico o retorno dos remanescentes dessa bandeira que, embrenhada pelos sertões catarinenses só deve ter atingido o povoa do Piratiningano um ano e meio mais tarde.

Em seu retorno, até atingir as cabeceiras do Apiterebi, onde havia várias aldeias de infiéis ibirajaras, segundo a documentação jesuítica, haviam sido várias vezes assaltados pelos índios gualachos, hordas selvagens e antropófagas que dominavam aquele sertão, vindos do Norte sob a pressão dos brancos que baixavam do Iguaçu. E nesses recontros haviam perdido ainda alguns homens, mortos sob cruéis atrocidades, descritas pelo P. Cristóvão Altamirano que até ali persegue os mamalucos.

Sabedores da derrota de Mbororé, aprestaram os paulistas, em sua cidade, uma nova bandeira, que dali saiu, em 1641, em socorro dos bandeirantes que acossados pelos índios se retiravam para o Apiterebi, ali encontrando os remanescentes da bandeira destroçada. Esse socorro não é referido pela documentação portuguesa, constando a notícia, como veremos, da delação de serviços dos tapes, etc, do P. Bernardo Nusdorffer, (V. Vol. seguinte, cap. I, 2, nota ano de 1641) : “No mesmo ano (1641) alguns derrotados que iam fugindo encontraram com socorro novo que vinha do Brasil e juntos voltaram por outra parte e com outro modo a tentar fortuna: fizeram dois fortes, no rio Uruguai, um chamado Tobati (Rio Comandai, grifo meu) e outro Apiterebi, para sair daí, fazer guerra às reduções e cativar índios. Descobriram os espias dos índios o seu intento, saíram logo em seguida e acometendo o primeiro forte, os destroçaram, matando muitos e libertando os cativos que já tinham.

Deram também sobre o segundo forte e os obrigaram a evacuá-lo, com tudo quanto tinham de provisões, munições, víveres e cativos. Quem comandava esse novo reforço que veio em socorro dos destroçados de Mbororé? A documentação portuguesa nada nos diz a respeito. Meses depois do assédio de Mbororé, diz o Irmão Simão Méndez, confirmado pelo P. Diaz Tano[17],  mandaram os Padres, sabendo que os paulistas tinham recebido reforço, uma força armada de 150 catecúmenos sob o comando do capitão-general Inácio Abiaru, para novamente hostilizá-los. Depois de muitos dias de marcha encontraram 10 “portugueses” que procuravam fazer um forte nas imediações das reduções. Batidos pela força, dispersaram-se, com morte de cinco, tendo sido libertados 45 infiéis que haviam capturado. Algum tempo depois, outros contingentes de soldados das reduções acharam rancheados em uma paliçada alguns paulistas que foram obrigados a fugir.

Um destacamento de bandeirantes que saiu à preia de infiéis encontrou pelas alturas do Tebiquari um troço de índios cristãos que, quando da destruição de Santa Teresa, se teria retirado para as imediações desse rio. Depois do assalto que colheu alguns, outros se entregaram espontaneamente, com o intuito de mais tarde promoverem uma revolta entre os prisioneiros. A noite levaram a efeito o intento, destroçando-os. Outros “10 portugueses de outra tropa, que eram os melhores soldados de Jerónimo Pedroso”[18] tiveram igual destino, muitos deles morrendo, atacados pelos índios.

Além de todas essas lutas ainda se referem os documentos conhecidos à investida de grande quantidade de tigres que assolavam os acampamentos, às intempéries terríveis da estação hibernal e à falta de mantimentos que originou grandes privações, fome e doenças.

Diz o Provincial P. Francisco Lupércio Zurbano, na Ânua referida que, segundo pessoas vindas do Brasil, as baixas dos paulistas orçavam por 120 brancos, “parte feridos e mortos na batalha, parte mortos pelos índios infiéis, e outra pelos tigres e intempéries”, que os assolaram no retorno ao povoado.

Os restos desta bandeira devem ter chegado em agosto de 1642 a São Paulo, data em que foi iniciado o inventário de Sebastião Gonçalves.



[1] Mbororé, pequeno arroio da margem direita do Uruguai é hoje conhecido na cartografia argentina pelo designativo de Arroio Nonje. V. mapa — Misiones guaraníticas.

[2] Carta do Padre Francisco Diaz Tano. datada de 9 de novembro de 1641. Confirma-o o Irmão Simón Méndez que estava também no Rio de Janeiro, em carta de 23. ao Irmão Diogo de Molina, dizendo que ali "souberam que se aprestava uma bandeira de 400 paulistas para dar sobre as reduções". Pastells. 11-60, 62.

[3]. Pastells. 11-Serafim Leite. Hist. da Comp. de Jesus no Brasil, VI, 253 ss.60, 62.

[4] Padre Tano. Carta citada. Pastells — II. 62.

[5] Teschauer. Hist. I, 204. Observa que estes números, diferentes dos indicados por Lozano, apoiam-se nos autos".

[6] António Serrano. Etnografia de la antigua provinda dei Uru guai. Paraná 1936-39 e seg.

[7] V. Mapa etnográfico.

[8] Carta do Padre Tano citada.

[9] Pastells. II, 65.

[10] V. Mapa dás Cortes. Anais da B. N. Doe. sobre o Trat. de 1750. Vol. LII.

[11] Ânua do Padre Cláudio Ruyer col. B. N. I., 29, 1, 93. Original e autografa

[12] Inv. e Test. S. Paulo. Vol. XI. 500 a 507.

[13] Idem, Vol. XIII, 434.

[14] Carta do capitão Manuel Peres, citada. Ânua do Padre Cláudio Ruyer, em Rev. do Inst. Hist. e Geogr. do R. G. Sul, XXII, n* 85, p. 39.

[15] No histórico destes acontecimentos seguimos o relato do P. Ruyer, cartas do P. Tano e Irmão Simón Méndez e Ânua do P. Lupércio Zurbano, a primeira no original da B. N. e as outras publicadas in Pastells, II, 60, 65, 81.

[16] Quem é este capitão Manuel Peres que escreve aos Padres como se fosse cabo principal da bandeira? Pensa o Dr. Taunay (A grande vida de Fernão Dias Pais — Anais IV-34) que é Manuel Pires, "cujo nome deve ter o jesuíta estropiado graças à tendência então geral no tempo, ou universal mesmo, de se verterem os nomes". Seria, assim, o marido de Maria Bicudo (Geneal. 6M48), pai do P. Estêvão Rodrigues da Companhia de Jesus, e sogro, pela primeira mulher do insigne António Raposo Tavares. Entretanto, a assinatura da carta e todas as referências que se encontram nos documentos jesuíticos refere-se a um Manuel Peres... Veja ainda a nota 10. na Rev. do Inst. Hist. e Geogr. do R. G. Sul, Ano XXII. n" 85, p. 40. (L. G. 3.)

[17] Pastells. II, 60.

[18] Pastells. II, 65.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aqui está a narrativa completa e unificada sobre o episódio de Mbororé e o destino final em Tobati, transformando os registros históricos em uma crônica épica e solene.


Mbororé e o Crepúsculo de Tobati: Uma Crônica de Sangue e Selva

I. O Prenúncio da Tempestade

Entre os anos de 1639 e 1641, o tempo pareceu suspender o fôlego nas selvas do Rio Grande. Enquanto António Raposo Tavares voltava sua belicosidade contra os batavos no Nordeste, um novo embate se preparava ao Sul. No Rio de Janeiro, o Padre Diaz Taño proclamava o breve papal que excomungava os captores de indígenas, acendendo a fúria e o distúrbio nas vilas de Piratininga. Sob a ameaça de expulsão dos jesuítas, Taño apressou seu regresso a Buenos Aires para organizar a resistência contra a iminente investida bandeirante.

II. O Exército do Uruguai

Nas reduções, a fé armou-se de ferro. Sob o comando do capitão-general D. Inácio Abiaru, ergueu-se um exército de 4.000 índios, munidos de arcabuzes e uma artilharia rústica feita de bambu e couro. Contra eles, avançava a bandeira de Jerônimo Pedroso de Barros, uma serpente de centenas de canoas que cortava o rio Acarágua com o intuito de capturar almas e buscar vingança contra o poder jesuítico.

III. O Embate das Águas em Mbororé

Em março de 1641, o Uruguai viu suas águas mudarem de cor. O conflito atingiu seu ápice em Mbororé, um ponto estratégico onde os jesuítas prepararam sua defesa. Por oito dias, o rio foi palco de uma dança de morte: balsas blindadas disparavam contra as canoas bandeirantes, enquanto combates corpo a corpo tingiam as margens de vermelho.


No calor da batalha, o capitão Manuel Peres enviou uma missiva aos padres, pedindo misericórdia e confissão em plena Quaresma, mas alegando que sua consciência estava limpa perante a guerra que ele dizia não ter buscado. O silêncio dos padres foi a resposta; a guerra continuaria até o fim.

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IV. A Páscoa das Cinzas e os Fortes de Tobati (Rio Comandai)

O golpe final foi desferido na Quinta-feira Santa. Enquanto os paulistas se ocupavam em erguer cruzes e calvários para as celebrações da Paixão, o exército de Abiaru caiu sobre eles, ignorando a santidade do dia em favor da expulsão definitiva do invasor.

Os sobreviventes, acossados, tentaram uma última cartada. Unindo-se a reforços vindos do Brasil, ergueram dois baluartes de madeira: os fortes de Tobati (Rio Comandai) e Apiterebi. Entretanto, a esperança de fortuna foi breve. Os espias indígenas localizaram as paliçadas e, em ataques sucessivos, os jesuítas e seus catecúmenos destroçaram o primeiro forte e forçaram a evacuação do segundo, recuperando cativos e provisões.

V. O Retorno Trágico

O que restou da outrora orgulhosa bandeira foi uma marcha fúnebre pela selva. Perseguidos pelo capitão Abiaru, os paulistas enfrentaram uma natureza implacável. Cerca de 120 homens brancos pereceram, não apenas pelo ferro, mas pelo assalto de tigres, pela fome e pelas intempéries do inverno.


Somente em agosto de 1642, os remanescentes atingiram São Paulo. Do sonho de conquista e glória, restou apenas o eco de um Te Deum festivo nas missões e os inventários dos que ficaram para sempre sob o solo do sertão.


 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Origem dos nomes das ruas cidade de Guarani das Missões,

 

Guarani das Missões os nomes da malha viária original da cidade.

(Tese de uma charada desvendada, a origem dos nomes das ruas)

Por: Vilmar Person

ALMURS - Academia de Letras dos Municípios do Rio Grande do Sul, cadeira 293.

A cidade que mais homenageia a Província das Missões e as Reduções Jesuíticas.

Aqui está um breve contexto sobre essa homenagem que a cidade presta às suas raízes:

É fascinante ver como a malha urbana de Guarani das Missões, antigo Núcleo Commandahy, da Colônia Guarany, o Guerreiro das Missões, reflete diretamente a história profunda da região. Os nomes das ruas são uma verdadeira aula de geografia histórica sobre os Sete Povos das Missões e as reduções da antiga Província do TapeAs Ruas e a História

A escolha desses nomes não é por acaso. Guarani das Missões, conhecida como a Capital Polonesa dos Gaúchos, está situada em território que outrora pertenceu às missões jesuíticas.

  • Os Sete Povos: Estão todos representados: (São Borja, São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Lourenço Mártir, São Miguel Arcanjo, São João Batista e Santo Ângelo Custódio).
  • A Província do Tape: Refere-se à região central e oriental do Rio Grande do Sul, onde os jesuítas iniciaram a catequese antes da destruição das primeiras reduções pelos bandeirantes (nomes como São Xavier e Santo Izidro remetem a esse período e a figuras centrais da Companhia de Jesus).



Curiosidades sobre os nomes citados, em ruas sentido leste a oeste:

Nome da Rua/Av.

Contexto Histórico

Rua São Xavier

A Redução de São Francisco Xavier foi fundada em 1626, na região das Missões (margem direita do Rio Uruguai, atual território de Porto Xavier), pelo Padre Roque Gonzales, como parte do primeiro ciclo missioneiro. Foi um importante assentamento jesuíta Guarani com estâncias próprias, servindo de base para a evangelização antes das destruições por bandeirantes onde aconteceu na foz do Tabaty (Comandai) a batalha do M’Borore.

Rua Santo Ângelo

A Redução de Santo Ângelo Custódio, fundada em 1706 pelo padre Diogo Haze, foi a última das Sete Missões jesuíticas no lado oriental do Rio Uruguai. Destruída durante a Guerra Guaranítica (após 1756), seu sítio arqueológico hoje compõe o centro histórico da cidade de Santo Ângelo (RS), com destaque para as "janelas arqueológicas" e a Catedral Angelopolitana. 

Rua São João

A Redução de São João Batista, fundada em 1697 pelo padre jesuíta Antônio Seppfoi o sexto dos Sete Povos das Missões, localizada no atual município de Entre-Ijuís, RS. Destacou-se como um centro de alta tecnologia, pioneiro na fundição de ferro e aço na América do Sul, além de possuir avançada produção cultural, musical e um relógio com os apóstolos. 

Av. São Miguel

 Redução de São Miguel Arcanjo, fundada em 1687 no Rio Grande do Sul, foi um dos mais importantes aldeamentos jesuítas no Brasil, abrigando cerca de 6.000 Guaranis. Reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO (1983), destacou-se pela igreja barroca (1735-1745) e organização autossuficiente até ser desmantelada no século XVIII. 

Rua São Lourenço

A Redução de São Lourenço Mártir, fundada em 1690 pelo jesuíta Bernardo de La Veja, foi uma das mais expressivas missões jesuíticas dos Sete Povos, situada no atual município de São Luiz Gonzaga/RS. Com população superior a 6.400 habitantes (1731), destacou-se na agropecuária, introdução da raça ovina lanada e produção de erva-mate. 

Rua São Luiz

A Redução de São Luiz Gonzaga, fundada em 1687 pelo padre Miguel Fernandes, foi um dos sete principais aldeamentos missioneiros (Sete Povos das Missões) no Rio Grande do Sul. Focada na evangelização e organização social dos índios Guarani, desenvolveu uma economia local forte, mas foi impactada pela Guerra Guaranítica e o Tratado de Madri. 

Rua São Nicolau

Fundada em 3 de maio de 1626 pelo Padre Roque Gonzales, a Redução de São Nicolau é considerada a "Primeira Querência" ou o berço das missões jesuíticas no Rio Grande do Sul. Localizada às margens do rio Piratini, foi a primeira do ciclo inicial e única a ser refundada no segundo ciclo (1687), tornando-se um dos Sete Povos das Missões. 

Rua São Borja

A Redução de São Francisco de Borja, fundada em 1682 pelo padre jesuíta Francisco Garcia, foi o primeiro dos Sete Povos das Missões e o marco inicial da colonização do Rio Grande do Sul. Localizada na margem esquerda do rio Uruguai, serviu como base estratégica e berço da civilização missioneira no estado. 

Rua Santo Izidro

O Porto de Santo Izidro, localizado no Rio Uruguai em São Nicolau (RS), é um marco histórico fundamental da região missioneira. Foi o ponto de travessia do Padre Roque Gonzales em 1626 e onde, em 1634, introduziu-se o primeiro rebanho de gado do estado, essencial para a formação da cultura gaúcha. O local está passando por projetos de revitalização visando o turismo e as celebrações dos 400 anos das Missões. 

 



Guarani das Missões, carinhosamente conhecida como a "Capital Polonesa dos Gaúchos", de fato homenageia a geografia da bacia hidrográfica do Noroeste Rio-Grandense em seu traçado urbano.

Muitos desses nomes vêm do tupi-guarani e batizam tanto os rios quanto as cidades vizinhas que cresceram às suas margens.

Aqui está uma breve análise da relação desses nomes com a hidrografia regional:

Principais Rios e Arroios Homenageados em ruas no sentido norte/sul.

Nome da Rua/Av.

Contexto Histórico

Av. Inhacorá

 Rio Inhacorá é um curso de água fundamental na região noroeste do Rio Grande do Sul, nascendo entre Chiapeta e Santo Augusto e desaguando no Rio Burica. Ele integra a bacia hidrográfica dos Rios Turvo, Santa Rosa e Santo Cristo, banhando municípios como São Martinho, Alegria e São José do Inhacorá. O rio é crucial para o abastecimento local, uso agrícola e possui destaque histórico pela construção de usinas hidrelétricas, incluindo a antiga usina de Boa Vista do Buricá. 

Rua Santa Rosa

O Rio Santa Rosa é um importante curso d'água no noroeste do Rio Grande do Sul, pertencente à bacia hidrográfica dos rios Turvo, Santa Rosa e Santo Cristo, componente da bacia do Rio Uruguai, nasce em Catuípe e deságua no Rio Uruguai em Porto Mauá, atravessando áreas agrícolas e com mata ciliar preservada em alguns trechos. 

 

Rua Comandai

O Rio Comandaí

é um importante afluente do rio Uruguai, situado na região das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul, atravessa áreas rurais de municípios como Santo Ângelo, Guarani das Missões e 7 de Setembro, sendo crucial para irrigação de lavouras e pecuária, além de sofrer com impactos de inundações. 

Rua Boa Vista

O Arroio Boa Vista, situado na região de Santa Rosa, RS, é um corpo hídrico de grande importância local, correndo em uma área predominantemente rural entre os municípios da região. Ele contribui para o ecossistema local e é vital para atividades agrícolas, incluindo a irrigação de lavouras como soja, arroz e milho. 

Rua Giruá

O Rio Giruazinho é um curso de água localizado na região Noroeste do Rio Grande do Sul, crucial para o município de Giruá e áreas vizinhas como Guarani das Missões. Sua nascente, situada no Parque Integrado Elso Pilau.

Rua Pindaí

 Arroio Pindaí é um curso d'água localizado na região de Santa Rosa, RS, afluente importante na bacia hidrográfica local, que deságua no Rio Santa Rosa.

Rua do Moinho

Embora não seja o nome de um rio específico, remete diretamente ao uso das águas (força hidráulica) para a moagem de grãos, atividade histórica fundamental na colonização da cidade

Rua Ijuí

O Rio Ijuí é um importante curso de água no noroeste do Rio Grande do Sul, nascendo em Santo Bárbara do Sul e desaguando no Rio Uruguai na fronteira com a Argentina. É vital para o abastecimento urbano, agricultura (soja) e geração de energia (UHE Passo São João)

Rua Uruguai

O Rio Uruguai é um importante curso de água sul-americano com cerca de 1.770 km de extensão, formado pela junção dos rios Pelotas e canoas Serra Geral (SC/RS). Atua como fronteira natural entre Brasil/Argentina e Argentina/Uruguai, desaguando no Rio da Prata. Fundamental para energia, agricultura e transporte na região Sul

Rua Santo Cristo

 Rio Santo Cristo, situado no noroeste do Rio Grande do Sul, nasce em Giruá e deságua no Rio Uruguai (entre Porto Mauá/Alecrim), integrando a bacia dos Rios Turvo-Santa Rosa-Santo Cristo. É conhecido pela Cascata do Santo Cristo, uma queda de 15 metros em forma de ferradura, de rara beleza natural, situada entre Santa Rosa e o município de Santo Cristo.

 

·         Nomes atuais serão abordados em outro contexto.