quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Vozes do Passado - Caminhos do Presente

 


Copieo Link: 

https://drive.google.com/file/d/1nCU0AH3sPhPo7BC2W2RTjIRFw2ruOkKG/view?usp=sharing 

O Legado Impresso no Solo e na Memória

Ao fechar as páginas deste livro, conclui-se mais do que uma leitura histórica: encerra-se uma verdadeira viagem no tempo pelas artérias viárias e fluviais de Guarani das Missões. O percurso que iniciamos ao desbravar o traçado urbano e a toponímia local ganha o seu sentido pleno quando confrontado com os registros sepultados pelo tempo, como os relatos de 1898 resgatados do Gazeta Handlowo-Geograficzna. Compreender de onde viemos é o único caminho seguro para saber quem somos e para onde caminhamos.

As ruas por onde caminhamos diariamente e os rios que delimitam o nosso solo — o Comandaí, o Inhacorá, o Santa Rosa — deixam de ser meros pontos de referência no mapa para se tornarem monumentos vivos da coragem de um povo. Cada esquina de Guarani das Missões carrega o eco dos passos dos pioneiros poloneses outras nacionalidades como os suecos e dos heróis civis que, entre o trabalho árduo da terra e o desejo inabalável de preservar a sua identidade, ergueram as bases da nossa comunidade. O suor daqueles colonos transformou a mata virgem na "Capital Polonesa dos Gaúchos", um feito que hoje nos enche de orgulho e responsabilidade.

A preservação da memória não é um olhar estático para o passado, mas uma chama acesa para iluminar o futuro. Unir a pesquisa documental criteriosa e as novas tecnologias à paixão pela história local permitiu-nos restaurar imagens e vozes que o tempo ameaçava apagar. Espera-se que este registro não permaneça apenas nas estantes, mas que sirva de bússola para as futuras gerações, inspirando os jovens de Guarani das Missões a honrarem o legado de fé, trabalho e resiliência deixado por nossos antepassados.

A história de uma terra nunca termina; ela continua a ser escrita a cada dia por todos nós. Que este livro permaneça como uma homenagem perpétua a Guarani das Missões e aos homens e mulheres que fizeram das margens das nossas águas o seu lar definitivo.

Notas finais importantíssimas:

Revendo as publicações do Dr. Edmundo Gardolinski, cuja tradução relata que o padre Antony Cuber havia escrito no Kalendarz Polski, observamos que o mesmo texto foi publicado conforme acima no periódico Gazeta Handlowo-Geograficzna (1898), a partir disso fiz um comparativo para elucidar o tema:

Embora Edmundo Gardolinski tenha efetuado sua transcrição na época, e publicado pela FIDENE de Ijuí, temos que considerar o seguinte:

1. Natureza e Origem dos Documentos

Documento 1 (Transcrição Cuber Gardolinski.docx):

Título original: Nas Margens do Uruguai.

Autor: Padre Antoni Cuber (primeiro pároco de Ijuí, 1895–1915).

Publicação original: Periódico Kalendarz Polski (Calendário Polonês), publicado em 1898.

Tradução e Edição: Traduzido pelo Eng. Edmundo Gardolinski e publicado em 1975 pelo Museu Antropológico Diretor Pestana / FIDENE (Ijuí-RS).

Formato: Publicação/folheto histórico homenageando a imigração polonesa, o Pe. Antoni Cuber e o Eng. Edmundo Gardolinski.

Documento 2 (Vozes do Passado, Caminhos do Presente pronto.docx):

Título principal: Vozes do Passado, Caminhos do Presente: A história da imigração polonesa e a formação de Guarani das Missões a partir do periódico Gazeta Handlowo-Geograficzna (1898).

Tradução - Autor da obra/livro: Vilmar Person.

Fonte do texto histórico: Periódico Gazeta Handlowo-Geograficzna (Órgão da Sociedade Comercial-Geográfica Polonesa de Lviv), Ano IV, N.º 8, publicado em 25 de abril de 1898.

Formato: Livro/obra completa elaborada com prefácio, tradução/transcrição do jornal, comentários editoriais/análise histórica e posfácio.

2. Os textos centrais são os mesmos?

Sim e Não (Eles compartilham o mesmo relato básico, mas em contextos e extensões diferentes):

  1. O Relato de Ijuí e Guarani (O ponto de convergência):
    • O texto do Padre Antoni Cuber é praticamente idêntico nos dois documentos.
    • No Documento 1, o texto Nas Margens do Uruguai contém a descrição das Missões Orientais, da fundação de Ijuí e de Guarani das Missões, da fauna/flora, dos aspectos religiosos, sociológicos, demográficos e ecológicos da região.
    • No Documento 2, essa exata mesma matéria escrita pelo Pe. Cuber aparece reproduzida sob a seção de artigos do jornal de Lviv (páginas 93 a 95 sob o título Colônias polonesas de Guarani e Ijuí no estado do Rio Grande do Sul).
    • Explicação constante no próprio Documento 2: O Pe. Cuber escreveu o relato em Ijuí/Guarani, o Dr. Stanisław Kłobukowski recolheu o material durante sua visita em 1896, e o jornal Gazeta Handlowo-Geograficzna (Lviv) e o Kalendarz Polski publicaram o relato no mesmo ano de 1898.
  2. O que o Documento 2 tem a mais?
    • Conteúdo ampliado do jornal de Lviv (1898): O Documento 2 não traz apenas a carta/relato do Pe. Cuber. Ele contém a edição completa da Gazeta Handlowo-Geograficzna de 25 de abril de 1898, que inclui:
      • Artigos sobre a emigração polonesa para os Estados Unidos versus o Paraná e Sul do Brasil (escritos por Stefan Barszczewski e os editores em Lviv).
      • Histórico do Museu Nacional Polonês em Rapperswil (Suíça).
      • Notícias do movimento nacional no Sul do Brasil (I Sejm Polonês em Curitiba, sociedades de Massaranduba-SC e Jaguari-RS, poema/hino de Maria Konopnicka, discussões sobre a Escola de Batignolles).

3. Resumo das Semelhanças e Diferenças

Característica

Documento 1 (Transcrição Cuber Gardolinski)

Documento 2 (Vozes do Passado...)

Autor/Organizador

Edmundo Gardolinski / Museu Diretor Pestana (1975)

Vilmar Person (Obra/Livro)

Fonte do Texto Histórico

Kalendarz Polski (1898)

Gazeta Handlowo-Geograficzna de Lviv (25/04/1898)

Relato sobre Ijuí e Guarani

Presente (Redigido pelo Pe. Antoni Cuber)

Presente (Exatamente o mesmo relato do Pe. Cuber republicado/recolhido por Kłobukowski)

Outros artigos de 1898

Não possui.

Possui matérias sobre o Paraná, EUA, Suíça (Rapperswil) e o I Sejm de Curitiba.

Notas e Comentários

Possui notas de rodapé de Gardolinski/Museu.

Possui análises históricas detalhadas e contextualização atual.

Conclusão

Os dois documentos não são 100% idênticos, mas compartilham o mesmo núcleo textual histórico. O relato sobre a fundação, geografia, clima, religiosidade e vida dos colonos em Ijuí e Guarani das Missões, escrito pelo Padre Antoni Cuber em 1898, é a espinha dorsal de ambos. O Documento 2 é uma obra mais ampla que engloba esse relato dentro do contexto completo do periódico Gazeta Handlowo-Geograficzna e adiciona estudos, comentários e prefácio.

 





quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Colono de Guarani das Missões - Memórias e Diários de Imigrantes Poloneses no Rio Grande do Sul






Copie o link: https://drive.google.com/file/d/1CYHWsRrLgt5NRwSUyhhsfRGoN8HH1Q8D/view?usp=sharing


O que impulsiona milhares de pessoas a deixarem sua terra natal em direção a um horizonte totalmente desconhecido?

Nas páginas desta obra monumental, recolhidas originalmente pelo Instituto de Economia Social de Varsóvia em 1939 e agora traduzidas e comentadas minuciosamente, descortina-se a verdadeira odisseia da imigração polonesa para o Brasil. Da agitação revolucionária nas sombras do czarismo e das masmorras do Pawiak à travessia incerta dos oceanos; do desbravamento brutal das matas virgens no Paraná e em Santa Catarina até a consolidação de comunidades vibrantes no Rio Grande do Sul, como em São Feliciano e Guarani das Missões, estas vozes rompem o silêncio do tempo.

Mais do que relatos de superação, estes diários revelam sem filtros a alma humana: a dor da perda e da saudade, a luta diária pela sobrevivência, a fundação de escolas e bibliotecas comunitárias, mas também as fraturas e os desafios de construir um novo lar em terras estrangeiras.

Organizado com rigor e profundo respeito à memória histórica, este livro é um tributo definitivo aos avós e bisavós que plantaram, com suor e esperança, as raízes indeléveis da polonidade no Sul do Brasil. Um documento essencial para quem deseja compreender que a verdadeira pátria sobrevive onde há coragem, trabalho e união.

"Resgatar o passado é garantir que o sacrifício daqueles que vieram antes de nós jamais seja esquecido."


 

sábado, 24 de outubro de 2026

Cartas do Brasil - Adolf Dygasinski em português

 

Copie o link em português: 

https://drive.google.com/file/d/1pGLslJghny9j8UUbmnt1CUYyC869qRhZ/view?usp=drive_link 

em Polonês: https://drive.google.com/file/d/1How13CZ_K3BItgCfjFR_QQh8v6JJxFbl/view?usp=sharing



A PROMESSA DO PARANÁ, A REALIDADE DA MATA VIRGEM.

„Żyjemy jak zwierzęta w lasach, ani ludzi, ani kościoła!” (“Vivemos como animais nas matas, nem gente, nem igreja!”)

No final de 1890, em meio à intensa “Febre do Brasil”, o aclamado escritor e jornalista polonês Adolf Dygasiński desembarca no litoral catarinense e paranaense com uma missão urgente: investigar o paradeiro de milhares de famílias de camponeses europeus atiradas às florestas tropicais da jovem República Brasileira.

O resultado é Cartas do Brasil, uma crônica impressionante e visceral que une o rigor da reportagem ao talento da grande literatura. Com um olhar incisivo e profundamente humano, Dygasiński registra os bastidores do acolhimento precário em barracões, a dor do isolamento cultural e religioso, a luta contra doenças e pragas agrícolas, e as engrenagens burocráticas que transformaram o sonho da terra própria em uma servidão velada no contexto pós-Abolição.

Contraponto brilhante entre a exuberância idílica da natureza tropical e a tragédia humana dos esquecidos, esta obra é mais que um relato histórico de época: é o testemunho definitivo sobre a dor do exílio, a busca pela dignidade e a gênese da imigração polonesa no Sul do Brasil.

Um documento indispensável, humano e revelador sobre o preço da esperança e o choque entre dois mundos.


terça-feira, 13 de outubro de 2026

Za Morze! (Para o Mar)

Acesse o Link (copie):

https://docs.google.com/document/d/1287677gw138zBTyZyxP51lzdJVMA0_VQ/edit?usp=sharing&ouid=108769581310098110256&rtpof=true&sd=true

ZA MORZE! — PARA ALÉM DO MAR!

Esboços de uma viagem ao Brasil (1891–1892)

Dr. Józef Siemiradzki

No alvorecer da República, impulsionados pela promessa de terra, liberdade e prosperidade, milhares de camponeses e operários da Europa Central cruzaram o Atlântico naquilo que a história consagrou como a "Febre Brasileira". Para examinar a real dimensão desse fenômeno e o destino das famílias assentadas nos matos do Sul do Brasil, o eminente geólogo, naturalista e geógrafo polonês Dr. Józef Siemiradzki empreendeu uma rigorosa expedição de inspeção pelos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Publicado originalmente em Varsóvia no ano de 1894, Za Morze! é um dos relatos mais vivos, densos e desapaixonados sobre a formação das colônias rurais e urbanas do Brasil meridional. Combinando o olhar clínico do cientista atento à flora, à fauna e à geografia física com a profundidade analítica do sociólogo da cultura, Siemiradzki registra com realismo ímpar o cotidiano do desbravamento: do aprendizado da técnica da roça e queimada aos bailes populares; das rivalidades políticas aos choques com a burocracia colonial; das epidemias nas hospedarias de triagem ao trágico conflito na frente de expansão agrícola.

Esta edição crítica apresenta, pela primeira vez com este grau de detalhamento editorial, a tradução integral e ipsis litteris dos relatórios do autor, acompanhada por minucioso aparato de comentários históricos, críticos e linguísticos. Mais do que uma crônica de viagem, esta obra constitui um documento fundamental para pesquisadores, historiadores e todos os leitores interessados na memória da imigração, na formação territorial do Sul do Brasil e na saga dos pioneiros que reconstruíram suas vidas no coração da mata brasileira.




Esboços de uma Viagem ao Brasil

Dr. Józef Siemiradzki

FICHA TÉCNICO-HISTÓRICA E EDITORIAL

  • Autor: Dr. Józef Siemiradzki (1858–1933) — Geólogo, paleontólogo, explorador e professor da Universidade de Lviv.
  • Título Original: Za morze! Szkice z wycieczki do Brazylii.
  • Local de Publicação Original: Lviv (Lwów), Império Austro-Húngaro (atualmente Lviv, Ucrânia).
  • Oficina Gráfica / Editora: Związkowa Drukarnia we Lwowie (Imprensa da União em Lviv).
  • Ano de Publicação: 1894.
  • Contexto e Motivação da Obra: A obra foi escrita no auge do fenômeno conhecido historio graficamente como a "Febre Brasileira" (Gorączka brazylijska), ocorrido entre 1889 e 1892. Diante da saída massiva e desordenada de milhares de camponeses poloneses em direção ao Brasil após a Abolição da Escravidão e a Proclamação da República, a elite intelectual e científica de Lviv designou Siemiradzki para uma expedição oficial de investigação in loco. O objetivo era avaliar rigorosamente as condições de acolhimento, solo, clima, mercado de trabalho e sobrevivência das colônias agrícolas polonesas no Sul do Brasil e em São Paulo, denunciando a exploração por parte das redes clandestinas de agenciamento de emigrantes.


A obra Za Morze! Szkice z wycieczki do Brazylii (Para Além do Mar! Esboços de uma viagem ao Brasil), publicada em Varsóvia no ano de 1894 pelo geólogo, com dados coletados na expedição de 1891 e 1892, naturalista e geógrafo polonês Dr. Józef Siemiradzki (1858–1933), figura entre os testemunhos documentais e literários mais expressivos sobre a imigração europeia no Sul do Brasil durante o alvorecer do período republicano. Comissionado por sociedades científicas e de auxílio aos emigrantes na Europa Central, Siemiradzki percorreu os principais núcleos de assentamento nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul no divisor dos anos de 1891 e 1892. Seu objetivo era produzir um diagnóstico sócio-histórico, econômico e geográfico límpido da realidade enfrentada pelos milhares de camponeses e operários que abandonaram as terras polonesas sob domínio russo, prussiano e austríaco impulsionados pela chamada "Febre Brasileira".

A presente edição crítica oferece ao público de língua portuguesa a tradução integral e ipsis litteris dos relatórios e crônicas de viagem do autor, preservando rigorosamente a estrutura sintática, o tom narrativo, a precisão descritiva e a vivacidade das observações originais. Para além do valor memorialístico, a narrativa de Siemiradzki combina a erudição do cientista natural, atento à botânica da mata de araucárias, à hidrografia das bacias do Iguaçu e do Itajaí e à zoologia da fauna neotropical, com a penetração analítica do sociólogo da fronteira agrária. O leitor encontrará nestas páginas um retrato minucioso dos desafios cotidianos da colonização: a transição das técnicas agrícolas europeias para o sistema da roça e queimada, a precariedade dos meios de transporte e da assistência sanitária, a corrupção e os desmandos dos intermediários da administração colonial e as complexas dinâmicas de convivência e conflito entre os imigrantes, as populações autóctones (bugres) e os povoadores locais (caboclos).

Para garantir a máxima densidade analítica e o rigor historiográfico, o texto traduzido é acompanhado, passo a passo, por comentários críticos, históricos e linguísticos enumerados ao final de cada trecho. Esse aparato interpretativo busca contextualizar os micros eventos locais na grande história da formação territorial do Sul do Brasil, como a disputa pelo Território do Contestado na fundação de núcleos como Lucena (Itaiópolis), a gênese urbana de cidades como São Mateus do Sul e Prudentópolis, o papel das ferrovias e da navegação a vapor no Iguaçu e o impacto das epidemias nas hospedarias de triagem de Curitiba, Desterro e Porto Alegre.

Entregar esta tradução comentada ao leitor contemporâneo é resgatar um documento fundamental sobre a memória da imigração e da formação social do Brasil meridional. Que esta obra sirva como fonte viva de consulta e reflexão para historiadores, pesquisadores da memória regional e todos aqueles que buscam compreender os sacrifícios, as contradições e a resiliência dos homens e mulheres que cruzaram o oceano para reconstruir a vida no interior das matas brasileiras.


 


 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Homenagem a Pátria


        De Guarani das Missões, a Capital Polonesa dos Gaúchos, elevamos nossa voz e nossa memória nesta homenagem à Pátria Brasil. Reverenciamos a história daqueles bravos fundadores e pioneiros que, com trabalho honesto e suor, ergueram as bases do nosso chão. Que a honradez, a bravura e a integridade de quem nos precedeu se façam vivas e presentes no nosso dia a dia, para que sejamos, também aqui, guardiões de uma pátria verdadeiramente livre, justa e sem opressão.

        O momento que vivemos convida a celebrar a liberdade em seu sentido mais amplo: o direito de agir, de cultivar nossas tradições, de prosperar em paz e de construir o futuro com responsabilidade. Mais do que uma data no calendário, a verdadeira independência se renova quando decidimos nos libertar das amarras que enfraquecem o espírito comunitário.

        É hora de nos desligarmos dos "angorás" e do mar de notícias diárias que semeiam o desânimo, o pessimismo e a discórdia. Que tenhamos a sabedoria de filtrar o barulho passageiro e focar no que realmente constrói: o trabalho digno, a união das famílias, o respeito mútuo e o compromisso inflexível com o bem comum.

        Que o orgulho de pertencer a esta terra gaúcha e brasileira nos guie. Com a força de nossas raízes em Guarani das Missões e os olhos postos no futuro, seguimos firmes na construção de um Brasil de homens e mulheres livres, honrados e soberanos. Viva a nossa Pátria!

Texto: Vilmar Person em 07/09/2026



 

terça-feira, 25 de agosto de 2026

História da saga sueca publicada na Suécia, "A Caravana da Morte". Créditos: Jornal e a prima e pesquisadora Helena Wijk

 O Sonho Interrompido na Selva Sul-Americana

        No início do século XX, o desespero e a incerteza tomaram conta de Kiruna, uma cidade no extremo norte da Suécia. Após a grande greve de 1909, a desesperança se instalou entre as famílias de trabalhadores. Foi nesse cenário de fragilidade que surgiram os agentes de emigração com promessas sedutoras: o Brasil era pintado como um "Eldorado", uma terra de oportunidades ilimitadas onde qualquer homem disposto a trabalhar enriqueceria.

        Movidos por essa ilusão, mais de mil emigrantes — a maioria suecos e finlandeses, incluindo centenas de crianças — embarcaram para a América do Sul. A travessia do Atlântico e a recepção inicial na Ilha das Flores, no Rio de Janeiro, trouxeram um suspiro de alívio. Cartas entusiasmadas foram enviadas de volta à pátria, incentivando ainda mais famílias a arrumarem as malas.

        Contudo, o pesadelo começou quando os imigrantes desembarcaram no interior do Rio Grande do Sul, nas colônias de Erechim e Guarany. Esperava-se uma estrutura organizada, mas o que encontraram foram matas virgens, alojamentos imundos, falta de comida e lotes de terra que sequer haviam sido demarcados. Famílias de mineiros, sem qualquer experiência com a agricultura tropical, viram-se abandonadas em um ambiente hostil.

        A natureza implacável e o descaso das autoridades locais desferiram golpe sobre golpe. Quando conseguiam erguer ranchos e plantar milho ou feijão, o rio Uruguai transbordava de forma avassaladora, forçando as famílias a passarem dias agonizantes no topo das árvores enquanto viam a correnteza arrastar seus parcos bens. O que as enchentes não destruíam, as nuvens de gafanhotos e as geadas devastavam.

       A tragédia atingiu seu ponto mais sombrio com a chegada das doenças. Em Guarany, o atendimento médico estava entregue ao filho de um colono, um homem constantemente embriagado e brutal, que deixava os doentes morrerem sem medicação. Em apenas um ano, um terço das crianças e um quinto dos adultos da colônia perderam a vida. Registros impressionantes de colonos, como o de Johan Petter Isaksson Määki, documentam a dor inimaginável de pais que viram até quatro filhos morrerem em questão de semanas.

        A terra prometida transformara-se em um cemitério de crianças. O escândalo e o desespero cruzaram as fronteiras e chegaram à embaixada em Buenos Aires. Diante do colapso completo do projeto colonial, o governo sueco interveio nos anos seguintes e conseguiu repatriar cerca de 500 sobreviventes. Deixaram para trás as covas de seus entes queridos na selva, encerrando uma das páginas mais dolorosas e sombrias da história da emigração sueca.

Veja a transcrição em Sueco/português:  


Creditos: Helena Wijk

Brasilianska emigrationsäventyrets krönika skriven.

Ett arbete med mörka blad ur utvandringens historia.

En serie bilder som illustrera typiska landskaps-, arkitektur- och situationsmoment från de svenska kolonisternas hemvist i Brasilien. I mitten synes kolonien Erechim, idylliskt lågt belägen i barrskog. Guarany låg lägre i ett lövskogsområde. Nederst till vänster synes "hotellet" i Erechim. Nedan till höger visas ett typiskt bostad av det slag svenskarna levde och ännu bygga nybyggarhus. I mitten upptill en immigranttransport till Guarany.

Vår Brasiliefarares historia är nu färdigskriven. I ett litet prydligt utstyrt häfte, utgivet av Nationalföreningen mot emigrationen, finns hela detta av huvudsak företagandets och medvetslös exploatering sammansatta äventyr, som utgick från palettfolket, nådde ned under ekvatorn och vände tillbaka till utgångspunkten, markmarkerande sina lidandets stationer med svenska gravar, mest barngravar.

Som en varning för alla tider mot ett förhastat övergivande av fosterlandet om än knappt levnadsmiljö heter — som en varning också till alla att må väl, som på något sätt bidra till att till assa de rötter med vilka många svenskar blott alltför löst benga fäst vid sin egen jord, bör detta dokument spridas och bli känt så långt som möjligt. Broschyren heter Ett emigrationsäventyr och är på Nationalföreningens uppdrag utarbetat av redaktör Gösta Olson med ledning dels av en av handelsattachen Axel Paulin författad rapport, dels ett antal skrivelser från emigranterna själva.

Det är över 1,000 människor, däribland omkring 700 svenskfödda, som sedan 1909 utvandrat till Brasilien. En del av dem ha efter oerhörda lidanden kommit tillbaka, många ligga redan begravda där nere i urskogen, och icke så få, särskilt bland de finskfödda utvandrarna, kämpa ännu en hopplös kamp mot övermänskliga svårigheter och en omänsklig administration i det land som en gång lockat som ett Eldorado.

Det var efter storstrejken, då de högtspända förväntningarna avlöstes av hopplöshet och missmod, under blåsta av en osund socialdemokratisk agitatorisk verksamhet, som resluften grep Kirunabefolkningen.

Tidningen publicerade brev från för över 10 år sedan utvandrade svenskar, vilka skildrade Brasilien som ett land med obegränsade möjligheter till rik bärgning för fattiga svenska arbetare. Emigrationsagenterna passade på att göra i den upphetsade stämningen, och redan innan strejken var slut avreste den första emigrantskaran på över 30 personer, män, kvinnor och barn, via Hamburg till Rio de Janeiro.

Deras intryck vid landstigningen voro de bästa. Immigrantstationen på Ilha das Flores, "blomsterön", tycks vara väl ordnad i alla avseenden. Härifrån skrevos flera förtjusta brev hem till Kiruna, och strax voro åtskilliga familjer färdiga att fara efter.

Hur många svenskar som verkligen utvandrat till Brasilien under 1909 och de två följande åren är svårt att säga. Officiellt uppges antalet till 688, medan handelsattachén Paulin beräknar de till Brasilien anlända till 1,055. Sanningen torde ligga någonstans i mitten. Även många i Sverige bosatta finnar följde med. Ojämförligt största delen av Brasiliefararna kommo från Norrbotten.

Det var mestadels familjer med små tillgångar och stora — ofta mycket stora barnskaror som rycktes med av utvandringsströmmen. Mer än halva antalet var sålunda barn, eller 220, voro barn under 15 år, 104 ogifta över 15 år, 127 gifta och 8 änklingar eller änkor. Yrkesförhållandena visa samma dåliga förutsättningar, i det av 178 familjefäder endast 5 voro jordbrukare och således i någon mån förberedda för sin blivande verksamhet. 100 voro gruvarbetare, 15 mekaniker eller järnarbetare, 12 träarbetare. För övrigt förekommo bl. a. en gårdfarihandlare, en bokbindare, en livförsäkringsagent och åtskilliga andra voro ungefär lika kompetenta att bli pionjärer i ett aldrig förr odlat land, om vilket de för övrigt ingenting hände mer än av emigrationsagenternas fantastiska skildringar.

Dessa herrar äro spridda över hela Europa och direkt eller indirekt anställda av brasilianska regeringen. I detta fall tycks det mestadels ha varit en hr Moravsitz i Hamburg som tagit hand om de stackars Kirunaborna. Thi honom hade de att erlägga 15 kr. för varje person över 12 år, hälften för yngre, vilken summa utgjorde priset för resan till Hamburg och vistelsen där tills ovesteren kunde ske. Denna del av färden förflöt i allmänhet angenämt, liksom också den kostnadsfria sjöresan över Atlanten, ehuru utrymmet på ångaren var knappt. Det första intrycket i det nya landet, Rios engelska västra hamn och immigrantstationen, var också endast gott.

Men så kom allvaret. Svenskarna voro destinerade till den sydligaste av republikens stater, Rio Grande do Sul, där de två huvudstaden, Porto Alegre, skulle planteras ut i kolonierna Guarany och Erechim. Dylika kolonier tillkommo genom samverkan mellan förbundsregeringen och vederbörande stat. Rio Grande do Sul har t. ex. koncisivt med regeringen om invandring av 300 koloniser per månad. Emellertid överskredos denna summa med ofta dubbla och flerdubbla antalet...

(Forts. å sid. 8.)

Tradução em Português:

A crônica da aventura de emigração brasileira está escrita.

Um trabalho com páginas sombrias da história da emigração.

        Uma série de imagens que ilustram cenários típicos, arquitetura e momentos situacionais das moradias dos colonos suecos no Brasil. No centro vê-se a colônia de Erechim, idilicamente localizada em uma floresta de pinheiros. Guarany situava-se mais abaixo, em uma área de mata fechada. Na parte inferior à esquerda, vê-se o "hotel" em Erechim. Abaixo à direita é exibida uma habitação típica do tipo em que os suecos viviam e ainda constroem novas casas de colonos. No centro, na parte superior, um transporte de imigrantes para Guarany.

       A história dos nossos viajantes do Brasil está agora concluída. Em um pequeno folheto elegantemente desenhado, publicado pela Associação Nacional contra a Emigração, encontra-se toda essa aventura composta de grandes empreendimentos e exploração inconsciente, que partiu do povo das paletas, desceu para baixo do equador e retornou ao ponto de partida, marcando suas estações de sofrimento com túmulos suecos, em sua maioria sepulturas de crianças.

        Como um aviso para todos os tempos contra um abandono precipitado da pátria — mesmo que com condições de vida precárias —, como um aviso também para todos os que passam bem para que contribuam de alguma forma para prender as raízes com as quais muitos suecos estão presos de forma muito frouxa à sua própria terra, este documento deve ser divulgado e conhecido o mais amplamente possível. O folheto chama-se Uma Aventura de Emigração e foi elaborado, a pedido da Associação Nacional, pelo redator Gösta Olson, com base em um relatório redigido pelo adido comercial Axel Paulin e em várias cartas dos próprios emigrantes.

        São mais de 1.000 pessoas, entre as quais cerca de 700 nascidas na Suécia, que emigraram para o Brasil desde 1909. Algumas delas regressaram após sofrimentos incríveis, muitas já estão enterradas lá na selva e não poucas, especialmente entre os emigrantes nascidos na Finlândia, ainda lutam uma batalha sem esperança contra dificuldades sobre-humanas e uma administração desumana no país que um dia as atraiu como um Eldorado.

        Foi após a grande greve que a febre da viagem tomou conta da população de Kiruna, quando as grandes expectativas foram substituídas por desesperança e desânimo, insuflados por uma doentia atividade agitadora social-democrata.

        O jornal publicou cartas de suecos que emigraram há mais de 10 anos, descrevendo o Brasil como um país de oportunidades ilimitadas de enriquecimento para trabalhadores suecos pobres. Os agentes de emigração aproveitaram-se do clima agitado e, antes mesmo do fim da greve, partiu o primeiro grupo de mais de 30 emigrantes — homens, mulheres e crianças — via Hamburgo para o Rio de Janeiro.

         As suas impressões ao desembarcar foram as melhores. A estação de imigrantes na Ilha das Flores, a "ilha das flores", parecia estar bem organizada em todos os aspectos. A partir dali, foram enviadas várias cartas entusiasmadas para Kiruna e, logo em seguida, várias famílias estavam prontas para partir.

        É difícil dizer quantos suecos realmente emigraram para o Brasil durante 1909 e nos dois anos seguintes. Oficialmente, o número é fixado em 688, enquanto o adido comercial Paulin estima que 1.055 chegaram ao Brasil. A verdade provavelmente está em algum lugar no meio. Muitos finlandeses residentes na Suécia também os acompanharam. A grande maioria dos viajantes do Brasil vinha de Norrbotten.

        Eram em sua maioria famílias com poucos recursos e com muitos — frequentemente muitíssimos — filhos que foram arrastadas pela corrente migratória. Mais de metade do número total eram crianças; assim, 220 eram crianças menores de 15 anos, 104 solteiros com mais de 15 anos, 127 casados e 8 viúvos ou viúvas. As condições profissionais mostram as mesmas más premissas, visto que, de 178 chefes de família, apenas 5 eram agricultores e, portanto, de certa forma preparados para a sua futura atividade. 100 eram mineiros, 15 mecânicos ou trabalhadores metalúrgicos e 12 carpinteiros. Quanto ao resto, havia, entre outros, um vendedor ambulante, um encadernador, um agente de seguros de vida e vários outros que eram tão pouco competentes para serem pioneiros em uma terra nunca antes cultivada, sobre a qual, aliás, nada sabiam além das descrições fantásticas dos agentes de emigração.

        Estes senhores estão espalhados por toda a Europa e são direta ou indirektamente empregados pelo governo brasileiro. Neste caso, parece ter sido principalmente um certo Sr. Moravsitz, em Hamburgo, quem cuidou dos coitados de Kiruna. A ele tinham de pagar 15 coronas por cada pessoa com mais de 12 anos e metade para os mais jovens, soma que constituía o preço da viagem para Hamburgo e da estadia ali até que o embarque pudesse ocorrer. Esta parte da viagem decorreu de modo geral de forma agradável, tal como a viagem marítima gratuita pelo Atlântico, embora o espaço a bordo do vapor fosse reduzido. A primeira impressão no novo país, no porto inglês a oeste do Rio e na estação de imigrantes, também foi boa.

        Mas depois veio a realidade. Os suecos destinavam-se ao estado mais meridional da república, o Rio Grande do Sul, onde as duas capitais, Porto Alegre, deviam ser implantadas nas colônias de Guarany e Erechim. Tais colônias surgiram através da cooperação entre o governo federal e o respetivo estado. O Rio Grande do Sul tem, por exemplo, um acordo com o governo para a imigração de 300 colonos por mês. No entanto, este número foi frequentemente ultrapassado em dobro ou o triplo...

(Cont. na pág. 8)



Svenska Brasiliefararnas dystra saga.

Upprörande skildringar af deras lidanden.

En femtedel av de vuxna och en tredjedel av barnen döda.

Forts. från sid. 1.

talet, och våra emigranters lidanden torde till någon del vara att tillskriva den planlösa anhopningen av folk, som staten ej har möjligheter att varken mottaga eller placera.

En följd härav var att vistelsen i Porto Alegre blev ytterst obehaglig. Folket inhystes i snuskiga stensbaracker utan sängplatser, maten var olämplig och flera dödsfall inträffade bland de redan av sjöresan medtagna invandrarna, särskilt barnen.

Men resan inåt landet, särskilt till Guarany, som ligger 150 km. med landsväg från järnvägen och dit man fick färdas på öppna, ofjädrade vagnar, de s. k. carrozas, eller gående, frestade ännu mera på de svagares krafter.

Så var man äntligen i det förlovade landet, trött, utsläpad, ofta utan sitt lilla bohag, som försvunnit på någon av resans stationer — men likväl hoppfull. Man skulle nu ha sin jordlott. Det går långsamt. Kolonisterna kunde få vänta sysslolösa i 7 å 8 veckor innan de fingo besked, och så kunde det hända att den uselt utförda uppmätningen av jorden gjorde det omöjligt att hitta lotten eller att man sedan man väl börjat arbeta fick lov att lämna den därför att de slarviga myndigheterna förbsett att den redan hade en ägare. Naturligtvis var det många som på det sättet hunno göra över med både sina besparingar och statsunderstödet, 155 milreis. Många innan de fink någon av den jord de bearbetade.

Statens bidrag åt kolonisterna låter inte så illa i siffror. Jordlotten, 25 hektar, kostar 375 milreis, cirka 500 kr., vilka skola betalas inom fem år. Ökar detta ej, blir det rätt betydliga höjningar i priset. Mot skyldighet att uppföra ett hus av vissa dimensioner erhålles ett lån av 250 milreis. Vidare får han 30 milreis till redskap, 18 till utsäde eller också (i Erechim) lämnas dessa saker in natura. Vidare erhållas i understöds-pengar 125 milreis — egentligen förskottsbetalning för vissa obligatoriska allmänna arbeten.

Fördelarna uppvägas emellertid till fullo av nackdelar, som man inte får reda på av emigrantvärvarna. Först och främst den långa väntan, som åter upprepades, utan att ersättning därför erhölls. Vidare de höga prisen för usla varor. Slutligen — och detta var kanske det värsta för de stackars kolonisterna — bjöd naturen på den ena ohyggliga överraskningen efter den andra. Tropiskt klimat i förening med usla levnadsförhållanden bragte merparten av nordborna på sjukbädden. Den som lyckades få sin majs och potatis eller sina bönor i jorden fann snart att frost, ogräs och gräshoppssvärmar gjorde sitt bästa och ofta lyckades i det närmaste förinta hans arbetsresultat. Därtill kommo oerhörda översvämningar av Uruguayfloden och dess bifloder, som berövade många familjer inte blott deras skördar, utan också det mödosamt hopknogade huset och bohaget. Mer än en familj fick tillbringa kvalfulla dygn i grenarna av ett stort träd, medan syndafloden steg under dem och plundrade deras fattiga täppor och hem.

Därtill kommo de oefterrättliga samhällsförhållandena i denna avkrok av världen, där svenskarna föllo i händerna på ett samvetslöst följe av utsugare och skälmar, beklädda med mer eller mindre officiella värdigheter.

I all sin korthet betecknande för Guaranykolonisternas lidanden är följande skrift, som 37 av dem uppsatte och sände till vår beskickning i Buenos Aires. Det hör till historien att den kom bort på posten. Skrivelsen lyder:

Vi undertecknade svenska emigranter i kolonien Guarany i Rio Grande do Sul, Brasilien, vörda oss härmed till k. m:ts beskickning i Buenos Aires angående våra klagomål om missförhållandena här på platsen. Förgäves ha vi vänt oss till vår svenska konsul i Porto Alegre. Genom agenter ha vi blivit lovade mycket som vi sedermera fått se att det ej existerar. Nog av, vår bestämda avsikt är att få oss en jordlott och bilda oss ett eget hem, ty platsen tycker vi om. Men blir ej någon ändring med de missförhållanden som förevara å platsen, vilkade genom en del odugliga tjänstemän, torde vi bli tvingade att söka en annan tillflyktsort. När vi kommo hit i februari 1911 blevo vi utsända till skogen, där vi fingo leva som vi kunde. Ett barack som var uppsatt för tjugo år sedan, dels var den icke uppmätt. På så sätt fingo vi altar tre månader likasom de platser vi sökt ut i brist på uppmätning. Det understöd som regeringen utlovade hade vi redan förtärt. Därtill kom översvämningen från Uruguayfloden, då största delen av våra förnödenheter blev förstörd. På grund av alla umbäranden och lidanden uppstod sjukdomar bland oss, och i brist på legitimerad läkare och tjänlig medicin dog ett stort antal emigranter. Läkarevården är här anförtrodd åt en kolonisktens son, en odugling, som ständigt är berusad. Det är beklagligt att se de sjukas lidanden och den behandling de få av mannen i fråga. Här händer det ofta att patienten får sin medicin först två à tre dagar efter sin död. Ett exempel på den så kallade doktorns brutalitet kan här nämnas. För en tid sedan var ett barn sjukt. Tre gånger gjordes det besök hos honom, men som han var ute och festade, lyckades man ej träffa honom. Fjärde gången träffades han, då han i stället för att göra sin plikt utfor i grova ordalag och utvisade de besökande. Patienten avled sedermera, troligen utan medicin. Detta var anledning nog för doktorn att i sällskap med några av sina jämlikar uppsöka den utom sig stående fadern och misshandla honom på det grymmaste. Han jämte en annan svensk, som kom fadern till hjälp, blevo bundna med rep rep om halsen och fastbundna vid den marken till andra dagen. Misshandeln vållade mannens oförmögenhet till arbete för en tid framåt. Det omtalade barnet dog under nattens lopp utan läkarvård. En duglig läkare får ej förekomma här därför att chefens son funktionerar som sådan. Vi förstå nog att regeringen läggar ut stora summor för immigrationen. Men vi förstå också att en sträng kontroll är erforderlig för att få en duglig kolonisstyrelse att placera dessa pengar på ett för immigrationen tillfredsställande sätt. Det tycks dock som all kontroll är bannlyst från detta land. En opartisk undersökning från en modernare makt anser vi vara erforderlig.

En annan redogörelse, ett enstaka, men typiskt öde, skall till sist anföras. Det är en av de berättelser som avgåvos till beskickningen i Buenos Aires:

Undertecknad Johan Petter Isaksson Määki förklarar härmed:

att jag jämte min hustru --- och våra barn --- den 15 februari 1911 avreste från Kiruna till Porto Alegre och därifrån till Colonia Guarany, dit vi anlände den 10 maj samma år;

att jag där fick mig tilldelad en jordlott på 25 hektar, uppå vilken jag slog mig ned, åtföljd av min familj, började röja, svedja, meja hus och plantera;

att Uruguayfloden tre gånger steg över sina bräddar och översvämmade min jordlott, varvid jag fick allt det sådda och planterade ödelagt samt förlorade största delen av mina tillhörigheter;

att vi med knapp nöd räddade våra liv undan vattnet, när floden steg, genom att bega oss upp i träden, där vi nödgades tillbringa tre dagar;

att jag ånyo började så och plantera, då gräshoppor och andra skadedjur ödelade all grödan;

att flera av familjemedlemmarna under längre eller kortare tid varit sjuka;

att min son Oskar Axel avled den 26 juni 1911;

att min dotter Maria Juliana avled den 24 juni 1911;

att min son Viktor Benjamin avled den 4 juli 1911;

att min dotter Hilja Sofia avled den 4 april 1911.

Dödslistan i slutet av berättelsen är framför allt typisk. Enligt en rapport av en svensk kolonist, avled o i Guarany en femtedel av de vuxna, en tredjedel av barnen — och detta under loppet av ett år. I Erechim avledo mellan mars 1911 och mars 1912 73 av 266 svenskar, alltså över en fjärdedel. Detta endast dödsfallen. Sjukdomar härjade hela tiden. Ett ohyggligare sanitärt tillstånd är över huvud taget knappast tänkbart i en koloni. Hade ingen hjälp kommit, skulle på några år de svenska utvandrarna ha gått åt till sista man.

Genom regeringens ingripande har det, som bekant, lyckats att under de tre senaste åren skaffa hem en del av de värst nödställda. Från Buenos Aires ha sålunda hemsänds omkring femhundra svenskar. De övriga äro döda — säkert största delen. Endast de 28 hemsända familjernas medlemsantal har reducerats med 16 procent, därav övervägande antalet barn. De [...]

A leste saga dos viajantes suecos do Brasil.

Relatos chocantes de seus sofrimentos.

Um quinto dos adultos e um terço das crianças mortos.

(Cont. da pág. 1)

...o número, e os sofrimentos de nossos emigrantes devem ser atribuídos, em parte, ao acúmulo desordenado de pessoas que o Estado não tinha condições de receber nem de alojar.

    Uma consequência disso foi que a permanência em Porto Alegre se tornou extremamente desagradável. O povo foi alojado em alojamentos imundos de pedra, sem leitos; a comida era inadequada e ocorreram várias mortes entre os imigrantes já debilitados pela viagem marítima, especialmente entre as crianças.

    Mas a viagem rumo ao interior, em particular para Guarany — que fica a 150 km por estrada de rodagem a partir da ferrovia e para onde se tinha de viajar em carroças abertas e sem molas, as chamadas carrozas, ou a pé —, exigiu ainda mais das forças dos mais fracos.

        Assim, chegaram finalmente à terra prometida, cansados, exaustos, muitas vezes sem seus poucos bens, que haviam desaparecido em alguma das estações da viagem — mas ainda assim esperançosos. Agora teriam o seu lote de terra. O processo era lento. Os colonos podiam esperar inativos por 7 a 8 semanas antes de receberem uma resposta, e podia acontecer de a demarcação da terra, pessimamente executada, tornar impossível encontrar o lote, ou que, após começarem a trabalhar, tivessem de abandoná-lo porque as autoridades desleixadas haviam esquecido que ele já tinha proprietário. Naturalmente, muitos acabaram gastando tanto as suas economias quanto o auxílio estatal de 155 mil-réis antes de obterem qualquer terra para cultivar.

        O subsídio do Estado aos colonos não parece mau em números. O lote de terra, de 25 hectares, custa 375 mil-réis (cerca de 500 coroas), que devem ser pagos em cinco anos. Se não for pago, ocorrem aumentos consideráveis no preço. Mediante a obrigação de construir uma casa de certas dimensões, recebe-se um empréstimo de 250 mil-réis. Além disso, recebem-se 30 mil-réis para ferramentas, 18 para sementes ou então (em Erechim) esses itens são fornecidos em espécie. Recebem-se também 125 mil-réis em dinheiro de auxílio — na verdade, um adiantamento por certos trabalhos públicos obrigatórios.

        As vantagens, contudo, são totalmente anuladas pelas desvantagens, sobre as quais nada se aprende com os recrutadores de emigrantes. Em primeiro lugar, a longa espera, que se repetia sem que houvesse compensação. Além disso, os preços altos por mercadorias de péssima qualidade. Por fim — e isto talvez tenha sido o pior para os pobres colonos —, a natureza ofereceu uma surpresa terrível atrás da outra. O clima tropical, aliado às péssimas condições de vida, levou a maioria dos nortistas ao leito de enfermidade. Quem conseguia plantar seu milho, sua batata ou seu feijão, logo descobria que geadas, ervas daninhas e nuvens de gafanhotos faziam o seu melhor, conseguindo quase destruir o resultado de seu trabalho. A isso somaram-se inundações devastadoras do rio Uruguai e de seus afluentes, que privaram muitas famílias não apenas de suas colheitas, mas também de suas casas e bens arduamente conquistados. Mais de uma família teve de passar dias agonizantes nos galhos de uma grande árvore, enquanto o dilúvio subia abaixo delas e saqueava seus pobres roçados e lares.

        A isso somavam-se as condições sociais insustentáveis nesse canto esquecido do mundo, onde os suecos caíram nas mãos de um bando inescrupuloso de exploradores e patifes, investidos de dignidades mais ou menos oficiais.

    Muito característica, em toda a sua brevidade, dos sofrimentos dos colonos de Guarany é a seguinte carta, elaborada por 37 deles e enviada à nossa embaixada em Buenos Aires. Faz parte da história o fato de que ela se perdeu no correio. A carta diz:

Nós, abaixo assinados, emigrantes suecos na colônia de Guarany, no Rio Grande do Sul, Brasil, vimos por meio desta apresentar respeitosamente à embaixada de Sua Majestade em Buenos Aires nossas queixas sobre as más condições do local. Em vão recorremos ao nosso cônsul sueco em Porto Alegre. Por meio de agentes, nos foi prometido muito do que mais tarde vimos que não existia. Em todo caso, nossa intenção determinada é obter um lote de terra e construir nosso próprio lar, pois gostamos do lugar. Mas se não houver mudança nas más condições aqui existentes, causadas em parte por funcionários incapazes, seremos forçados a procurar outro refúgio. Quando chegamos aqui, em fevereiro de 1911, fomos enviados para a mata, onde tivemos de viver como podíamos. Um barracão construído há vinte anos não estava demarcado. Assim, tivemos de esperar cerca de três meses pelos locais que buscávamos, por falta de demarcação. O auxílio prometido pelo governo nós já tínhamos consumido. Somou-se a isso a inundação do rio Uruguai, quando a maior parte de nossas provisões foi destruída. Devido a todas as privações e sofrimentos, surgiram doenças entre nós e, na falta de um médico credenciado e de remédios adequados, morreu um grande número de emigrantes. Os cuidados médicos aqui estão confiados ao filho de um colono, um incapaz que está constantemente embriagado. É lamentável ver o sofrimento dos doentes e o tratamento que recebem do homem em questão. Aqui acontece frequentemente de o paciente só receber o remédio dois ou três dias após a sua morte. Um exemplo da chamada brutalidade do médico pode ser mencionado aqui: Há algum tempo, uma criança estava doente. Três vezes o procuraram, mas como ele estava fora em festas, não conseguiram encontrá-lo. Na quarta vez, quando o encontraram, em vez de cumprir seu dever, ele usou termos grosseiros e expulsou os visitantes. O paciente faleceu posteriormente, provavelmente sem medicação. Isso foi motivo suficiente para que o doutor, em companhia de alguns de seus pares, procurasse o pai desolado e o espancasse da forma mais cruel. Ele e outro sueco que veio em sua ajuda foram amarrados com cordas pelo pescoço e presos ao chão até o dia seguinte. As agressões deixaram o homem incapacitado para o trabalho por algum tempo. A referida criança morreu durante a noite sem atendimento médico. Um médico competente não pode atuar aqui porque o filho do chefe exerce essa função. Compreendemos bem que o governo investe grandes somas na imigração. Mas também compreendemos que é necessário um controle rigoroso para que uma administração colonial competente aplique esse dinheiro de forma satisfatória para a imigração. Parece, contudo, que todo controle foi banido deste país. Consideramos necessária uma investigação imparcial por parte de uma potência mais moderna.

        Outro relato, um destino individual, mas típico, deve ser citado por fim. É uma das narrativas entregues à embaixada em Buenos Aires:

        O abaixo assinado, Johan Petter Isaksson Määki, declara por meio desta:

        que eu, juntamente com minha esposa [---] e nossos filhos [---], em 15 de fevereiro de 1911, partimos de Kiruna para Porto Alegre e de lá para a Colônia Guarany, onde chegamos em 10 de maio do mesmo ano;

        que ali me foi concedido um lote de 25 hectares, no qual me estabeleci acompanhado de minha família, comecei a desmatar, queimar, construir casa e plantar;

    que o rio Uruguai transbordou três vezes e inundou meu lote, ocasião em que perdi tudo o que havia semeado e plantado, além da maior parte dos meus bens;

    que salvamos nossas vidas da água com extrema dificuldade, quando o rio subiu, subindo em árvores onde fomos obrigados a passar três dias;

    que comecei a semear e plantar novamente, quando gafanhotos e outras pragas destruíram toda a colheita;

    que vários membros da família estiveram doentes por períodos mais ou menos longos;

    que meu filho Oskar Axel faleceu em 26 de junho de 1911;

    que minha filha Maria Juliana faleceu em 24 de junho de 1911;

    que meu filho Viktor Benjamin faleceu em 4 de julho de 1911;

    que minha filha Hilja Sofia faleceu em 4 de abril de 1911.

    A lista de mortos ao final do relato é, acima de tudo, típica. Segundo um relatório de um colono sueco, em Guarany morreram um quinto dos adultos e um terço das crianças — isso no decorrer de um único ano. Em Erechim, entre março de 1911 e março de 1912, morreram 73 dos 266 suecos, ou seja, mais de um quarto. E isso refere-se apenas aos óbitos. As doenças devastavam o tempo todo. Um estado sanitário mais terrível é quase inimaginável em uma colônia. Se não tivesse chegado ajuda, em poucos anos os emigrantes suecos teriam sido dizimados até o último homem.

        Graças à intervenção do governo, conseguiu-se, como se sabe, trazer de volta nos últimos três anos alguns dos mais necessitados. De Buenos Aires foram repatriados cerca de quinhentos suecos. Os demais estão mortos — em sua grande maioria, certamente. Apenas o número de membros das 28 famílias repatriadas foi reduzido em 16%, sendo a maioria crianças. Eles [...]